Sindicato dos Médicos emite nota sobre saúde pública do Estado

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Confira a nota:

Assistimos há tempos uma degradação continuada dos serviços públicos na área de saúde. A deterioração vem da estrutura das Unidades de Saúde antigas e sucateadas, agravada pelo fechamento de hospitais, como o Ruy Pereira em Natal e o Dr. Getúlio Sales em Canguaretama, da negativa dos gestores de fazer concursos, piorada com a contratação de empresas terceirizadas sem médicos e sem experiência na prestação de serviços, e de uma gestão errática sem calendário de pagamentos a prestadores de serviços e fornecedores.

Assim, filas de pacientes se acumulam na espera e cirurgias são canceladas pelos hospitais privados e filantrópicos complementares por falta de pagamento. Os pacientes se acumulam nos corredores, superlotando os hospitais públicos.

A partir daí, a engenharia dos gestores para frear a chegada de pacientes aos hospitais é uma forma rígida e engessada de referência e regulação que represa os pacientes em casa ou em unidades de saúde sem equipe e resolutividade, o que resulta em prejuízos imensuráveis aos pacientes, por vezes a perda da própria vida.

Em visita a Mossoró, no dia 06 de novembro, tomamos ciência de uma paciente que teve fratura exposta, foi operada pela ortopedia no Hospital Tarcísio Maia, mas ante o risco de perder o membro inferior por falta da intervenção vascular que precisava ser feita e não foi, por falta de material, teve que ser transferida às pressas para Natal, onde fez revascularização e aguarda a evolução do caso, na expectativa de que a perna ainda possa ser salva.

O drama da saúde pública Estadual adquiriu contornos mais alarmantes esse último final de semana, com um vídeo, publicado nas redes sociais por familiares de um paciente que procurou socorro no maior hospital do Estado e, como a porta é referenciada para trauma, não conseguiu ser atendido, sendo orientado a procurar uma UPA. A família encontrou o vídeo no telefone do paciente, quando já era tarde demais e o paciente tinha falecido.